sábado, 4 de junho de 2011

Frederico Antunes: Dívidas de custeio e investimento serão alongadas devido à crise de comercialização do grão



O Banco do Brasil (BB) anunciou a prorrogação de parte das dívidas dos arrozeiros que estava prestes a vencer. A determinação, que já foi repassada às agências, prevê prazo extra para quitar parcelas de custeio e investimento. O setor vive uma das mais graves crises de comercialização, com a saca cotada a R$ 18,00 - valor 61,1% abaixo do custo do produção. Responsável por cerca de 70% das operações, o BB atende a uma das grandes reivindicações do setor. Segundo o superintendente estadual do BB, José Carlos da Silva, o valor das parcelas de investimento - que vencem esse ano, mas podem ser remanejadas para 2012 - é de R$ 80 milhões. "Queremos dar tranquilidade aos produtores. O banco também tem que dar apoio nos momentos difíceis", pontuou. Para o ciclo 2010/2011, o BB estima que a agricultura empresarial e familiar tenha tomado R$ 850 milhões para custeio.

A notícia veio após uma sexta-feira de manifestação que reuniu 1,5 mil arrozeiros em São Gabriel, onde o deputado Frederico Antunes (PP) esteve presente. Em protesto contra os baixos preços, lideranças e parlamentares distribuíram 5 mil quilos do grão à comunidade. De acordo com o deputado Frederico, "a situação de mercado está ruim, por isso não adianta cobrar agora. Esperamos que os outros bancos façam o mesmo."

Para o presidente da Associação dos Arrozeiros de São Gabriel, Paulo Cásar Lederes, a renegociação das dívidas não resolve a situação. "Nossa maior preocupação é com um preço justo." De acordo com ele, o socorro do BB não será sentido no município, que produz 5,5 milhões de sacas e já estima prejuízo de R$ 60 milhões.

O comércio municipal também enfrenta consequências da crise no campo. Conforme o presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, Tasso Teixeira, houve queda de 30% nas vendas do primeiro trimestre. "Como o ativo financeiro do orizicultor é o gado, muitos estão abatendo matrizes com prenhez positiva, o que é um crime", alerta. O setor ainda pede redução de ICMS (12% para 7%), isenção da taxa CDO e congelamento de todas as dívidas até 31 de outubro, além da criação do preço-meta.

PACOTE DE SOCORRO

Reprogramação das duas primeiras parcelas (junho e julho) dos custeios da safra 2010/2011 para vencimento junto com a última (outubro);

Prorrogação simplificada das parcelas de investimento com vencimento em 2011, para um ano após o vencimento final da operação;

Prorrogação dos custeios da safra 2010/2011, analisados caso a caso, quando verificado que as receitas não sejam suficientes para a quitação total das dívidas;

Produtores interessados em repactuar compromissos devem entrar em contato com a agência, que já está apta a operacionalizar.

Fonte: Banco do Brasil

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