terça-feira, 6 de novembro de 2012

Frederico critica a ideologização das provas do ENEM


O deputado Frederico Antunes (PP) durante o espaço das comunicações na Sessão Plenária de hoje (06/11), criticou a ideologização das provas aplicadas neste final de semana pelo Ministério da Educação (MEC) aos estudantes do ensino médio em todo o Brasil durante os exames do Enem. Para o parlamentar progressista é inadmissível que o governo Federal apresente questões com alto teor ideológico para testar o conhecimento dos estudantes brasileiros.

"Na próxima semana, durante a realização da reunião da Comissão de Educação da Casa irei solicitar providências para saber quem fez essas questões, por orientação de quem e com que propósito ? O MEC deve explicações à sociedade sobre tudo isso", finalizou.

Abaixo, segue cópia na íntegra do artigo publicado ontem pelo jornalista Vinícius Mota no Jornal Folha de São Paulo.



JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO - 05/11/2012

Verdades gabaritadas
SÃO PAULO - As tecnologias aplicadas à produção de alimentos e a exploração empresarial da terra ajudam a tirar bilhões de seres humanos da miséria. Mas frustrou-se o aluno que, ao prestar o Exame Nacional do Ensino Médio neste fim de semana, tenha procurado uma resposta nesses termos.

Nada disso. A expansão dos alimentos transgênicos está relacionada às "desigualdades sociais". Ponto para quem foi induzido a pensar de um só lado durante anos a fio nos bancos escolares.

E o avanço da irrigação nas plantações? Melhorou a produtividade? Estabilizou o abastecimento de comida? Não. Na prova do Enem, é preciso responder que essa técnica levou ao "agravamento da poluição hídrica". Ou que desviou o curso dos rios.

No exame, estudantes percorreram uma litania marxista a pretexto das trabalhadoras do babaçu no norte do país. O termo "quebradeira de coco", diz o texto citado no teste, "assume o caráter de identidade coletiva", pois as mulheres "reconhecem sua posição e condição desvalorizada pela lógica da dominação".

Ao final, é claro, era só marcar a alternativa que culpava os fazendeiros.

O jargão rebarbativo das ciências sociais "progressistas" correu solto. Para a questão citando o "discurso da disciplinarização dos corpos" (tratava da aversão à gordura na sociedade), a resposta mencionava a "culpabilização individual".

Sociólogos e antropólogos podem ver poesia em passagens como "portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento". Mas tente entender, leitor. Agora imagine um garoto de 17 anos obrigado a decifrar esses atentados à linguagem franca, numa prova para quase 6 milhões de brasileiros.

O Enem pode ter algumas vantagens. Do ponto de vista das ciências humanas, entretanto, vai exacerbar a transformação de plataformas pedagógicas parciais e militantes em verdades gabaritadas.

Vinícius Mota é Secretário de Redação da Folha. Foi editor de Opinião (coordenador dos editoriais) e do caderno Mundo. Escreve a coluna São Paulo, na Página A2

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